segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Voto Consciente - Ensino Médio




O que é o Voto Consciente?

Melô da Eleição - Brasileiros Pocotó - 3. e 4. ano



Falando sobre a importância do voto nas eleições de maneira bem-humorada, o brasileiro burro faz uma retrospectiva da política nacional.

Procure se lembrar de tudo o que foi discutido em sala de aula e poste o seu comentário.

Formas de Governo - 3. e 4. ano




De acordo com o que você estou e sobre o que observou no video, faça os seus comentários sobre os Sistemas de Governos Mundiais.

Meios de Comunicação de Massa e Cultura de massa - 1. ano

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Como definir a cultura popular brasileira

O Brasil é um país repleto de várias culturas regionais onde cada uma tem suas crenças e costumes. Nossa cultura é muito diferente dos demais países do mundo, pois nossa cultura não se baseia em um só elemento, mas sim em vários que se dividem em regiões do país, o que torna cada região originada pela sua cultura. Embora nosso país tenha essa diversidade cultural, como podemos definir de um modo geral a cultura do nosso país. Será nesse artigo que vamos aprender qual é a principal cultura de um modo geral no Brasil. Instruções Essa grande diversidade cultural que existe no Brasil é graças ao processo de colonização que ocorreu em nosso país, onde cada um dos povos que vieram para cá deixaram um pouco de sua cultura como os imigrantes italianos, os africanos, os portugueses e os indígenas que deixaram os primeiros traços de cultura no Brasil. Todo esse processo de influências de outros povos no Brasil contribuiu para o que vemos hoje, onde cada região do país tem sua própria cultura e um modo de viver diferente de as demais do país. É esse aspecto que deixa muito complicado generalizar nossa cultura em um só elemento, pois nossa cultura é muito rica e heterogênea. Sendo dessa forma podemos definir nossa cultura em uma cultura regional e não centralizada, onde em cada região predomina um modo de cultural que foi influenciado há tempos atrás por colonizadores que dominaram aquela região, o que faz cada região ter vários aspectos diferentes das demais como na música, arte, folclore entre outros aspectos. O que torna ainda mais interessante a cultura do Brasil é o fato de que ela é totalmente diferente dos países do mundo todo, podemos fazer a diferenciação de um país como o Japão em que seu alimento principal são os alimentos vindos do mar como peixes, algas entre outros. E já no Brasil a forma de culinária não é única pois em cada região tem um modo diferente de preparar seus alimento, o que foi influenciado pela cultura de sua região. São nesses aspectos como a diferença da culinária japonesa com a brasileira que vemos que a cultura do Brasil é muito rica. E será quase impossível definir esse modo de cultura em uma única palavra, porém podemos falar que o Brasil é definido por uma cultura totalmente diversificada o que faz com que tire o ar de que o Brasil é um país pobre e subdesenvolvido.

Cultura Popular

Manifestações culturais populares Definição Cultura Popular pode ser definida como qualquer manifestação cultural (dança, música, festas, literatura, folclore, arte, etc) em que o povo produz e participa de forma ativa. Ao contrário da cultura de elite, a cultura popular surge das tradições e costumes e é transmitida de geração para geração, principalmente, de forma oral. Exemplos de cultura popular Exemplos de manifestações da cultura popular: carnaval, danças e festas folclóricas, literatura de cordel, provérbios, samba, frevo, capoeira, artesanato, cantigas de roda, contos e fábulas, lendas urbanas, superstições, etc.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Direitos Humanos em Cordel - 3. Período

Segue abaixo uma dica para trabalhar os artigos dos Direitos Humanos de Forma descontraída - por meio da leitura de cordel. A Declaração Universal dos Direits Humanos (em Português) pode ser acessado em tp://dh.educacaoadistancia.org.br/arquivos/textos/PDFonline_Preambulo.pdf ou se preferir pode baixar o original em: Segue abaixo o cordel: Introdução O pensamento humanitário Produziu transformação, Para o direito fundamental, Do homem ou cidadão. Americanos e franceses, Formalizam Declaração. Revoluções do século dezoito Vêm suscitar e favorecer, Os ideais filosóficos, De Rosseau e Montesquieu, Os quais contribuíram, Pró movimento crescer. A Declaração da França Foi universalizante, A iniciativa popular Foi sua representante. Hoje serve de modelo, Um documento marcante. A concepção francesa Era da individualidade, Mas num estilo lapidar Enfatiza a liberdade, A igualdade e o legal E ainda a propriedade. A Burguesia liberal Ajudou na revolução, Pois o absolutismo, Tinha a dominação, Mais adiante porém, Promoveu a opressão. O progresso industrial Acentua desigualdade, O trabalhador explorado, Ficou sem propriedade E sem salário condigno, Aumentou a gravidade. Nesse quadro avassalador Surge Marx o cientista Criticando a igualdade Feita por capitalista, Discutiu essas idéias, No Manifesto Comunista. A concentração de riquezas Na mão duma minoria, É o que provoca a miséria De toda uma maioria. Pra dividir esse bolo, Só com muita rebeldia. Assim continua o homem Em busca da perfeição, Pouco se preocupando Com a humanização, Apesar das deficiências Temos a Declaração. No ano de quarenta e oito Dia dez, mês do natal A Assembléia da ONU, De modo universal, Aprova os direitos do homem, Pra cumprimento integral. 1 Pelo artigo primeiro Somos iguais em dignidade, Direitos e nascemos livres, Pra agir com fraternidade. Fico triste em lhes falar, Que não é a realidade. 2 O segundo manda gozar Do direito e da liberdade, Sem utilizar distinção De raça , cor , religiosidade, Opinião política, riqueza... Será que isso é verdade? 3 As palavras do terceiro Nos diz o essencial, Todos têm direito a vida, A segurança pessoal E ainda a liberdade, Bonito! mais irreal. 4 O quarto é enfático, Proíbe a escravidão, Só que os juros pagos, Pra manter globalização, Está nos deixando servos, Eternizando a prisão. 5 Quinto vem ser o artigo Que não deixa torturar, Condena-se a Polícia Sem antes observar, Que a maior violência, É não poder se educar. 6 O sexto nos informar Que o homem tem o direito, Perante a lei do mundo, Ser tratado com respeito, Mas Países descumprem A regra deste preceito. 7 No sétimo somos iguais Não havendo distinção Diante a lei e o direito, Desses temos proteção, O forte ainda consegue Manter discriminação. 8 O oitavo nos ensina A procurar os Tribunais, Contra os atos que violem Os direitos fundamentais, Mas a suntuosa justiça, Pouco tem sido eficaz. 9 Ninguém, pelo artigo nono Será preso ilegalmente, Detido ou exilado, Se arbitrariamente, O descumprimento é flagrante, Analise historicamente! 10 O artigo dez não inventa Diz o fundamental, Igualmente temos direito A uma justiça imparcial, Tem País que ainda julga, Tem uma defesa legal. 11 Pelo onze não se acusa Sem devido processo legal, Tudo deve está previsto Na lei de cada local. Mas inocentes são vítimas, De bombardeio fatal. 12 Na regra do artigo doze Não haverá interferência Na vida privada, no lar Ou numa correspondência, Essas normas são violadas Até com muita insistência. 13 Fala o treze da liberdade De locomover e morar, Dentro de um território, Podendo sair e retornar, Mas existem ditaduras Que persistem em violar. 14 O quatorze dá direito A vítima de perseguição, Que pode procurar asilo, Em seja qual for a nação, Muitos Países descumprem E não dão essa proteção. 15 Pelo quinze fazemos jus A uma nacionalidade, Não podemos ser privados Dessa legal faculdade, Podendo até mudá-la, Se houver necessidade. 16 O dezesseis nos ensina Que maiores de idade, Podem contrair matrimônio, Por espontânea vontade, O duro é manter a família, Agregando-a a realidade. 17 O dezessete vem tratar Do direito à Propriedade, A qual não se deve violar Pela arbitrariedade, Poucos são donos de tudo, Muitos na precariedade. 18 Pelo dezoito somos livres Pra refletir e pensar, De cultuar religião Quando nela acreditar, Cristãos, judeus e outros, Teimam em se digladiar. 19 O dezenove complementa A idéia do anterior, Expressaremos opiniões Seja em que lugar for, Se não houver embaraços Com prepotente ditador. 20 O artigo vinte agrega Liberando reunião, Podemos pacificamente, Criar associação, Mas os ricos liberais, Preferem desunião. 21 O vinte e um nos indica Que podemos governar, Escolhendo representantes, Ou se um pleito conquistar, Mas voto é mercadoria E só ganha marajá. 22 Pretende o vinte e dois Dá segurança social, A que fazemos jus, Pelo esforço nacional, Mas educação e saúde, Estão num plano orbital. 23 Pelo artigo vinte e três O homem deve trabalhar Ter remuneração decente, E sindicato organizar, Os projetos globalizantes, Querem com isso acabar. 24 É no vinte e quatro Que podemos repousar, Ter lazer, férias com grana, E na Europa passear, Um sonho do operário, Que mal pode se alimentar. 25 É direito no vinte e cinco, Ter padrão de vida real, Alimentar-se, morar bem, Ter um bem-estar social, O difícil é ter acesso, Ao que é fundamental. 26 Agora pelo vinte e seis, Tenho que ter instrução Pra compreender a miséria E debater a questão, O poder sabendo disso, Destrói a educação. 27 O artigo vinte e sete Vem nos dá a proteção, Sobre o que se produz Pra cultura da nação, O nosso direito autoral, Não esboça reação. 28 O vinte e oito se apega Na ordem sócio-global, Pra que o estabelecido, Realize-se no total, O preceito é coerente, Mas não cumprem no final. 29 Prevê o vinte e nove A nossa obrigação, De respeitarmos as leis E também o nosso irmão, No entanto há violência, Por faltar compreensão. 30 Chego no artigo trinta Vejo nele a previsão, Que nenhum dispositivo Da presente declaração, Seja porém destruídos Por revoltosa nação. Analisei as premissas Dos direitos fundamentais, Mostrei a Declaração, Nos seus aspectos formais, Dissequei todos artigos, Fazendo críticas leais. O homem sempre lutou Pra reaver seu direito A história mostra isso De modo muito perfeito, Mas apesar do progresso, Persistimos no defeito Fiz um breve retrospecto Do que é primordial, Para que o homem viva Na sociedade ideal, Espero que no futuro Não existe desigual. Tenho medicação certa Pra que todos vivam bem Acabe com a ganância, Divida o que você tem, Pois na vida espiritual, Não precisará de vintém. Dedico esse trabalho A quem nele acreditar, A Deus referencio Por ele me ajudar. A Terra será um éden, Quando povo se agregar. Dados do autor: Salete Maria da SilvaEstudante do 7º período do Curso de Direito(noturno) na UFRN. Natal/RN, 20 de novembro de 1998. Editado pelo Projeto Mandacaru de Literatura de Cordel. Fonte: http://www.dhnet.org.br/direitos/deconu/textos/cordel.htm http://www.onu-brasil.org.br/documentos_direitoshumanos.php
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IDENTDADE CULTURAL: IDENTIDADE BRASILEIRA - 1º ano

A cultura faz parte da totalidade de uma determinada sociedade, nação ou povo. Essa totalidade é tudo o que configura o viver coletivo. São os costumes, os hábitos, a maneira de pensar, agir e sentir, as tradições, as técnicas utilizadas que levam ao desenvolvimento e a interação do homem com a natureza. Ou seja, é tudo mesmo! Tudo que diz respeito a uma sociedade. Muitos sociólogos e historiadores brasileiros, a partir do século XIX, buscaram explicar a formação do povo brasileiro, caracterizado pela diversidade cultural, enquanto uma nação. E o olhar de alguns desses autores foi exclusivamente dedicado ao aspecto cultural. O legado cultural que herdamos dos povos que se misturam deu origem aos brasileiros. Fomos colonizados primeiramente pelos europeus, especificamente pelos portugueses e espanhóis. Temos também uma marcante presença dos africanos, que foram trazidos para cá como escravos e os indígenas que aqui já viviam... depois, por volta de 1870 em diante, é que imigraram muitos outros povos, como os italianos, alemães e holandeses, em busca de trabalho e de uma vida melhor e promissora no Brasil! Somos um povo que surgiu de uma grande confluência! Miscigenados! Ou seja, o povo brasileiro foi formado, a princípio, a partir de uma miscigenação, que foi a mistura de basicamente três “raças”, quais sejam: o índio, o branco e o negro. Vamos entender o que é raça, etnia e cultura. O conceito de etnia distingue-se do conceito de raça e cultura. Etnia é um conceito associado a uma referência e/ou origem comum de um povo. Ou seja, são grupos que compartilham os mesmos laços lingüísticos, intelectuais, morais e culturais. Embora possuam uma mesma situação de dependência de instituições e organização social, econômica e política, não constitui ainda em uma nação, mas apenas um agrupamento étnico. Etnia é, portanto, um conceito diferente de raça e cultura. São exemplos de grupos étnicos, entre outros, os índios xavantes e javaés do interior de Goiás, que são reconhecidos pelo etnômino de tapuios. Hoje habitam no Parque Nacional do Xingu, em número extremamente reduzido. Já a cultura é tudo que as diferentes raças e as diferentes etnias possuem em matéria de vida social, o conjunto de leis que regem o país, a moral, a educação-aprendizagem, as crenças, as expressões artísticas e literárias, costumes e hábitos, ou seja, é a totalidade que abrange o comportamento individual e coletivo de cada grupo, sociedade, nação ou povo. O termo raça significa dizer que há grupos de pessoas que possuem características fisiológicas e biológicas comuns. No entanto, o uso do termo raça acaba classificando um grupo étnico ou sociedade, levando também à hierarquização. Como se todos nós, seres humanos, fôssemos postos em uma grande escadaria, e em ordem de classificação e hierarquização pelo grau de importância das características físicas de cada grupo étnico; os mais importantes ficariam no topo e assim iria descendo até chegar nos menos importantes. Contudo, qual raça ou grupo étnico pode dizer que é melhor ou mais desenvolvido que outro? Muitas críticas a esse pensamento foram levantadas, principalmente no final do século XIX, pois tais concepções ajudaram a reforçar a discriminação e o preconceito e, conseqüentemente a legitimação das desigualdades sociais. Apesar de todas as críticas, ainda é possível observar que nos séculos XIX e XX houve um retorno de práticas racistas como, por exemplo, a eugenia e estudos do genoma, que foram muito defendidas por estudiosos adeptos às teorias evolucionistas sobre o progresso físico e comportamental do homem. Tais teorias concebiam que determinadas raças e etnias deveriam ser conservadas, por serem modelos de pureza, de superioridade, etc. Contudo, outras que não se enquadrassem nos modelos estabelecidos, ou que fossem, pela situação social que viviam, vítimas de doenças ou epidemias tornavam-se um perigo para o progresso da humanidade e não deveriam existir. Podemos tomar como um exemplo claro deste pensamento, o apartheid ocorrido na África do Sul nos anos de 1948 a 1991, quando toda a população negra foi obrigada a seguir normas e regras rígidas com relação ao convívio social, trabalho, etc., além de toda a forma de violência e discriminação sofrida. Ou ainda, quem não se lembra do genocídio dos judeus ou mais conhecido como o Holocausto dos Judeus, durante a II Guerra Mundial? O pensamento ideológico que estava por trás daquele terrível ato que exterminou cerca de 6 milhões de judeus, que não eram reconhecidos como seres humanos, era a idéia de superioridade da “raça ariana” alemã. A perseguição e o extermínio dos nazistas alemães contra os judeus ficou conhecido na história por anti-semitismo, uma forma de repudiar tudo o que era contrário à ideologia nazista. Quando olhamos os três grupos étnicos que se miscigenaram no Brasil Colônia, séculos XVI e XVII, com suas características biológicas específicas e também sócio-culturais, suas tradições, vemos como fizeram toda a diferença no processo de colonização e formação do povo brasileiro, diferentemente de outras colonizações empreendidas pelo mundo. Nosso país é uma “aquarela” de grupos étnicos! Constituída por meio da colonização (século XVI) e depois, pelas imigrações por volta dos séculos XVIII e XIX. Temos então uma pluralidade de identidades, caracterizada pelas diferenças. Por conta dessa variedade de identidades, povos e tradições, os diferentes grupos étnicos fizeram com que ocorressem em nosso país, um processo chamado de etnicidade. É interessante saber que o contato interétnico é um fenômeno que não ocorreu somente no período das colonizações, ainda ocorre, a ocupação por parte de alguns grupos, como por exemplo, os madeireiros, garimpeiros, e etc., em territórios indígenas, assim como pela utilização do trabalho manual dos índios. A situação de conflito, como já sabemos, decorre do sentimento e da atitude etnocêntrica, que foi uma característica do pensamento evolucionista, apoiando o empreendimento colonialista pelo mundo. Fonte: BODART, Cristiano das Neves. in: cafecomsociologia.com Participe partilhando seu conhecimento sobre o tema.

VOCÊ TEM CULTURA? - 1. ano

Outro dia ouvi uma pessoa dizer que “Maria não tinha cultura”, era “ignorante dos fatos básicos da política, economia e literatura”. Uma semana depois, no museu onde trabalho, conversava com alunos sobre “a cultura dos índios Apinayé de Goiás”, que havia estudado de 1962 até 1976 quando publiquei um livro sobre eles (Um mundo dividido). Refletindo sobre os dois usos de uma mesma palavra, decidi que essa era a melhor forma de discutir a idéia ou o conceito de cultura tal como nós, estudantes da sociedade, a concebemos. Ou, melhor ainda, apresentar algumas noções sobre a cultura e o que ela quer dizer não como uma simples palavra, mas como uma categoria intelectual: um conceito que pode nos ajudar a entender melhor o que acontece no mundo em nossa volta. Retomemos os exemplos mencionados porque eles encerram os dois sentidos mais comuns da palavra. No primeiro, usa-se cultura como sinônimo de sofisticação, de sabedoria, de educação no sentido restrito do termo. Quer dizer, quando falamos que “Maria não tem cultu­ra!”, e que “João é culto”, estamos nos referindo a um certo estado educacional destas pessoas querendo indicar com isso sua capacidade de compreender ou organizar certos dados e situações. Cultura aqui é equivalente a volume de leituras, a controle de informações, a títulos universitários e chega até mesmo a ser confundida com inteligência, como se a habilidade para realizar certas operações mentais e lógicas (que definem de fato a inteligência) fosse algo a ser medido ou arbitrado pelo número de livros que uma pessoa leu, as línguas que pode falar, ou os quadros e pintores que pode, de memória, enumerar. Como uma espécie de prova desta associação, temos o velho ditado informando sabiamente que “cultura não traz discernimento”. . . ou inteligência, conforme estou discutindo aqui. Neste sentido, cultura é uma palavra usada para classificar as pessoas e, às vezes, grupos sociais, servindo como uma arma discriminatória contra algum sexo, idade (“as gerações mais novas são incultas”), etnia (“os pretos não têm cultura”) ou mesmo sociedades inteiras, quando se diz que “os franceses são cultos e civilizados” em oposição aos americanos, que são “ignorantes e grosseiros”. Do mesmo modo é comum ouvir-se referências à humanidade, cujos valores seguem tradições diferentes e desconhecidas, como a dos índios, como sendo sociedades que estão “na Idade da Pedra” e se encontram em “estágio cultural muito atrasado!”. A palavra cultura, enquanto categoria do senso comum, ocupa como vemos um importante lugar no nosso acervo conceitual, ficando lado a lado de outras, cujo uso na vida quotidiana é também muito comum. Estou me lembrando da palavra “personalidade” que, tal como ocorre com a palavra “cultura”, penetra o nosso vocabulário com dois sentidos bem diferenciados. No campo da Psicologia, personalidade define o conjunto de traços que caracterizam todos os seres humanos. Ê aquilo que singulariza todos e cada um de nós como uma pessoa diferente, com interesses, capacidades e emoções particulares. Mas na vida diária, personalidade é usada como um marco para algo desejável e invejável de uma pessoa. Assim, certas pessoas teriam “personalidade”, outras não! É comum dizer que “João tem personalidade” quando, de fato, se quer indicar que “João tem magnetismo”, sendo uma pessoa “com presença”. Do mesmo modo, dizer que “João não tem personalidade” quer apenas dizer que ele não é uma pessoa atraente ou inteligente. Mas, no fundo, todos temos personalidade, embora nem todos possamos ser pessoas belas ou magnetizadoras como um artista de novela das oito! Mesmo uma pessoa “sem personalidade” tem, paradoxalmente, personalidade na medida em que ocupa um espaço social e físico e tem desejos e necessidades. Pode ser uma pessoa sumamente apagada, mas ser assim é precisamente o traço marcante de sua personalidade. No caso do conceito de cultura ocorre o mesmo, embora nem todos saibam disso. De fato, quando um antropólogo social fala em “cultura”, ele usa a palavra como um conceito-chave para a interpretação da vida social. Porque, para nós, “cultura” não é simplesmente um referente que marca uma hierarquia de “civilização”, mas a maneira de viver total de um grupo, sociedade, país ou pessoa. Cultura é, em Antropologia Social e Sociologia, um mapa, um receituário, um código através do qual as pessoas de um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas. É justamente porque compartilham de parcelas importantes deste código (a cultura) que um conjunto de indivíduos com interesses e capacidades distintas e até mesmo opostas transformam-se num grupo e podem viver juntos sentindo-se parte de uma mesma totalidade. Podem, assim, desenvolver relações entre si porque a cultura lhes forneceu normas que dizem respeito aos modos mais (ou menos) apropriados de comportamento diante de certas situações. Por outro lado, a cultura não é um código que se escolhe simplesmente. É algo que está dentro e fora de cada um de nós, como o entendimento do jogo de futebol também, a ação de cada jogador, juiz, bandeirinha torcida. Quer dizer, as regras que formam a cultura (ou a cultura como regra) são algo que permite relacionar indivíduos entre si e o próprio grupo com o ambiente onde vive. Em geral, pensamos a cultura corno algo individual que as pessoas inventam, modificam e acrescentam na medida de sua criatividade e poder. Daí falarmos que Fulano é mais culto que Sicrano e distinguirmos formas de “cultura” supostamente mais avançadas ou preferidas que outras. Falamos então em “alta cultura” e “baixa cultura” ou “cultura popular”, preferindo naturalmente as formas sofisticadas que se confundem com a própria idéia de cultura. Assim, teríamos a cultura e culturas particulares e adjetivadas (popular, indígena, nordestina, de classe baixa etc.) como formas secundárias incompletas e inferiores de vida social. Mas a verdade é que todas as formas culturais ou todas as “subculturas” de uma sociedade são equivalentes e, em geral, aprofundam algum aspecto importante que não pode ser esgotado completamente por uma outra “subcultura”. Quer dizer, existem gêneros de cultura que são equivalentes a diferentes modos de sentir, celebrar, pensar e atuar sobre o mundo e esses gêneros podem estar associados a certos segmentos sociais. O problema é que sempre que nos aproximamos de alguma forma de comportamento e de pensamento diferente, tendemos a classificar a diferença hierarquicamente, o que é uma forma de excluí-la. Um outro modo de perceber e enfrentar a diferença cultural é tomar a diferença como um desvio, deixando de buscar seu papel numa totalidade. Desta forma, podemos ver o carnaval corno algo desviante de uma festa religiosa, sem nos darmos conta de que as festas religiosas e o carnaval guardam uma profunda relação de complementaridade Realmente, se no terreno da festa religiosa somos marcados pelo mais profundo comedimento e respeito pelo foco no “outro mundo”, é porque no carnaval podemos nos apresentar realizando o justo oposto. Assim, o carnavalesco e o religioso não podem ser classificados em termos de superior ou inferior ou como articulados a uma “cultura autêntica” e superior, mas devem ser vistos nas suas relações que são complementares. O que significa dizer que tanto há cultura no carnaval quanto na procissão e nas festas cívicas, pois que cada uma delas é um código capaz de permitir um julgamento e uma atuação sobre o mundo social no Brasil. Como disse uma vez, essas festas nos revelam leituras da sociedade brasileira por nós mesmos e é nesta direção que devemos discutir o conteúdo e a forma de cada cultura ou subcultura em uma sociedade. No sentido antropológico, portanto, a cultura é um conjunto de regras que nos diz como o mundo pode e deve ser classificado. Ela, como os textos teatrais, não pode prever completamente como iremos nos sentir em cada papel que devemos ou temos necessariamente que desempenhar, mas indica maneiras gerais e exemplos de como pessoas que viveram antes de nós os desempenharam. Mas isso não impede, conforme sabemos, emoções. Do mesmo modo que um jogo de futebol com suas regras fixas não impede renovadas emoções em cada partida. É que as regras apenas indicam os limites e apontam os elementos e suas combinações explícitas. O seu funcionamento e, sobretudo, o modo pelo qual elas engendram novas combinações em situações concretas são algo que só a realidade pode dizer. Porque embora cada cultura contenha um conjunto finito de regras, suas possibilidades de atualização, expressão e reação em situações concretas são infinitas. Apresentada a assim, a cultura parece ser um bom instrumento para compreender as diferenças entre os homens e as sociedades. Elas não seriam dadas, de urna vez por todas, através de um meio geográfico ou de uma raça, como diziam os estudiosos do passado, mas em diferentes configurações ou relações que cada sociedade estabelece no decorrer de sua história. Mas é importante acentuar que a base dessas configurações é sempre um repertório comum de potencialidades. Certas sociedades desenvolveram algumas dessas potencialidades mais e melhor do que outras, mas isso não significa que sejam mais pervertidas ou mais adiantadas. O que isso parece indicar é, antes de mais nada, o enorme potencial que cada cultura encerra como elemento plástico capaz de receber as variações e motivações dos seus membros, bem corno os desafios externos. Nosso sistema caminhou na direção de um poderoso controle sobre a natureza, mas isso é apenas um traço entre muitos outros. Há sociedades na Amazônia onde o controle da natureza é muito pobre, mas existe uma enorme sabedoria relativa ao equilíbrio entre os homens e os grupos cujos interesses são divergentes. O respeito pela vida que todas as sociedades indígenas nos apresentam de modo tão vivo, pois que os animais são seres incluídos na formação e discussão de sua moralidade e sistema político, parece se constituir não em exemplo de ignorância e indigência lógica, mas em verdadeira lição, pois respeitar a vida deve certamente incluir toda a vida e não apenas a vida humana. Hoje estamos mais conscientes do preço que pagamos pela exploração desenfreada do mundo natural sem a necessária moralidade que nos liga inevitavelmente às plantas, aos animais, aos rios e aos mares. Realmente, pela escala dessas sociedades tribais, somos uma sociedade de bárbaros, incapazes de compreender o significado profundo dos elos que nos ligam com todo o mundo em escala global. Pois é assim que pensam os índios e por isso suas histórias são povoadas de animais que falam e homens que se transformam em animais. Conosco, são as máquinas que tomam esse lugar. O conceito de cultura, ou a cultura como conceito, então, permite uma perspectiva mais consciente de nós mesmos. Precisamente porque diz que não há homens sem cultura e permite comparar culturas e configurações culturais como entidades iguais, deixando de estabelecer hierarquias em que inevitavelmente existiriam sociedades superiores e inferiores. Mesmo diante de formas culturais aparentemente irracionais, cruéis ou pervertidas, existe o homem e entendê-las — ainda que seja para evitá-las, como fazemos com o crime — é uma tarefa inevitável que faz parte da condição do ser humano e viver num universo marcado e demarcado pela cultura. Em outras palavras, a cultura permite traduzir melhor a diferença entre nós e os outros e, assim fazendo, resgatar a nossa humanidade no outro e a do outro em nós mesmos. Num mundo como o nosso, tão pequeno pela comunicação em escala planetária, isso me parece muito importante. Porque já não se trata somente de fabricar mais e mais automóveis, conforme pensávamos em 1950, mas desenvolver nossa capacidade de enxergar melhores caminhos para os pobres, os marginais e os oprimidos. E isso só se faz com uma atitude aberta para as formas e configurações sociais que, como revela o conceito de cultura, estão dentro e fora de nós. Num país corno o nosso, onde as formas hierarquizantes de classificação cultural sempre foram dominantes, onde a elite sempre esteve disposta a autoflagelar-se dizendo que nós não temos uma cultura, nada mais saudável do que esse exercício antropológico de descobrir que a fórmula negativa — esse dizer que não temos cultura — é paradoxalmente, um modo de agir cultural que deve ser visto, pesado e talvez substituído por uma fórmula mais confiante no nosso futuro e nas nossas potencialidades. (Roberto DaMatta - Jornal da Embratel, edição especial. setembro de 1981) Faça os seus comentários e registre a sua opinião.